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Economia

Investigação comprova que frigorífico comprava carne podre


                                                                                                                                                                                              Fonte: Google


Operação Carne Fraca comprova que frigorífico Peccin comprava carne podre em 2014.


Foi comprovada que um dos frigoríficos investigados na Operação Carne Fraca comprava carne podre e disfarçava o sabor com ácido ascórbico. A informação está contida na decisão da Justiça Federal do Paraná na sexta-feira (17) e foi dada pela médica veterinária Joyce Igarashi Camilo, veterinária responsável pela empresa Peccin Agroindustrial S/A, do Paraná, em 2014.


De acordo com Joyce, "a PECCIN também comprava notas fiscais falsas de produtos com SIF (Serviço de Inspeção Federal) para justificar as compras de carne podre, e utilizava ácido ascórbico para maquiar as carnes estragadas".

Ainda foram atestadas irregularidades, "como a utilização de quantidades de carne muito menor do que a necessária na produção de seus produtos, complementados com outras substâncias, a utilização de carnes estragadas na composição de salsichas e linguiças, a 'maquiagem' de carnes estragadas com a substância cancerígena ácido ascórbico, carnes sem rotulagem e sem refrigeração, além da falsificação de notas de compra de carne".

A decisão também indica uma conversa suspeita entre sócios Idair e Nair Peccin, donos do frigorífico. Eles são acusados de usar "carne de cabeça de porco, sabidamente proibida, na composição de embutidos" e, "mesmo cientes da proibição de utilização de carne de cabeça na linguiça, IDAIR ordena que sejam comprados 2.000 quilos do produto para a fabricação de linguiças".

Veja a conversa entre eles abaixo:

IDAIR - Você ligou?
NAIR - Eu, sim eu liguei. Sabe aquele de cima lá, de Xanxerê?
IDAIR É.
NAIR - Ele quer te mandar 2.000 quilos de carne de cabeça. Conhece carne de cabeça?
IDAIR - É de cabeça de porco, sei o que que é. E daí?
NAIR - Ele vendia a 5, mas daí ele deixa a 4,80 para você conhecer, para fechar carga.
IDAIR - Tá bom, mas vamos usar no que?
NAIR - Não sei.
IDAIR - Aí que vem a pergunta né? Vamo usar na calabresa, mas aí, é massa fina é? A calabresa já está saturada de massa fina, é pura massa fina.
NAIR Tá.
IDAIR - Vamos botar no que?
NAIR - Não vamos pegar então?
IDAIR - Ah, manda vir 2000 quilos e botamos na linguiça ali, frescal, moída fina.
NAIR - Na linguiça?
IDAIR - Mas é proibido usar carne de cabeça na linguiça...
NAIR - Tá, seria só 2000 quilos para fechar a carga. Depois da outra vez dá para pegar um pouco de toucinho, mas por enquanto ainda tem toucinho [ininteligível].
[...]
NAIR - E dessa vez pego os 2000 quilos de cabeça então?
IDAIR - É, pega , nós vamos fazer o que? Só que na verdade usar no que? Vai ter que enfiar um pouco em linguiça ali.
NAIR Em Jaraguá tem 1000 quilos de sangria, essa serve para que?
IDAIR - Para calabresa.
NAIR - Só para calabresa? tá, tá bom, tá.
IDAIR – Tchau


As investigações interceptaram conversas entre o executivo da BRF (dona das marcas Perdigão e Sadia), André Baldissera, querendo intervir no Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal em Goiás – Sipoa-GO pois com irregularidades ele temia a a interrupção das operações da empresa em Mineiros.

O executivo também fala que contêineres da BRF foram retidos pois encontrados traços de salmonela (bactéria responsável por causar problemas no estomago como infecção alimentar provocando vômitos diarreia e febre) nos produtos enviados para o exterior.
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Operação Carne Fraca:


A PF (Polícia Federal) está nas ruas do País para cumprir a maior operação da história da corporação. Chamada de "Carne Fraca", a ação mira a venda de alimentos adulterados e conta com a atuação de 1.100 agentes federais. Eles cumprem 309 mandados judiciais em sete Estados brasileiros: São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás. 


Expedidas pela 14ª Vara da Justiça Federal de Curitiba (PR), as ordens judiciais estão assim divividas: 38 de prisão (27 preventivas e 11 temporárias), 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão em casas e locais de trabalho dos investigados e em empresas supostamente ligadas ao grupo criminoso.

Equipe JM




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